Grandes construtoras estão a frente da tendência mais recente no setor: a industrialização, ou a produção – própria ou por terceiros – de partes da construção fora do canteiro de obras. O uso de pré-moldados e estruturas pré-fabricadas tem permitido à WTorre acelerar bastante o processo construtivo. Monteiro cita algumas obras que antes levavam três a quatro anos e agora são feitas em até dois anos e meio. Recentemente, a empresa importou da China fachadas de vidro prontas e padronizadas. “Foi só abrir o contêiner e aplicar na frente do prédio, com rapidez, segurança, qualidade e sem desperdício”, diz o executivo. A industrialização do processo permitiu à construtora “uma otimização de custos da ordem de 20%” nos últimos quatro anos.

A industrialização, principal engrenagem dos ganhos de produtividade, tende a avançar quando o setor resolver um problema: a tributação desigual. Hoje, a legislação tributária prevê tratamentos diferentes para peças – como pré-moldados, por exemplo – produzidas no próprio canteiro ou fora dele. Sobre a peça manufaturada na obra não incidem tributos sobre a mão de obra, ao contrário do que ocorre quando ela é feita fora.
Um estudo mostrando as diferenças em vários produtos de aço, madeira e concreto, entre outros, foi preparado pela Fundação Getúlio Vargas a pedido de uma série de entidades do setor. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais (Abramat), Walter Cover, o setor vai aproveitar a boa vontade do governo em rever a carga tributária da produção e apresentar a ele o estudo.

“O desafio é universalizar as práticas inovadoras e a mecanização do setor”, afirma Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Cover concorda. De acordo com ele, a indústria brasileira de materiais já trabalha no mesmo padrão de qualidade de suas congêneres nos países ricos. O que falta é todo o setor da construção ter acesso às práticas e materiais mais modernos.

A construtora paranaense San Remo, por exemplo, adotou a instalação de uma marmoraria no canteiro de obras do edifício Palazzo Lumini, considerado o residencial mais luxuoso da região Sul. Segundo o proprietário da construtora, João Carlos Perussolo, a decisão proporcionou maior rapidez e também ajudou a diminuir custos.
Na Construtora Hugo Peretti a principal preocupação é em trabalhar dentro da certificação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), explica o engenheiro Felipe Zaccaro. A empresa tem obtido bons resultados na redução de geração e no gerenciamento de resíduos, além de entregar edificações com consumo de 30% a 40% menor de água e de 20% a 24% mais baixo em energia.

Mas vem da construção pesada um exemplo de que inovar não significa, necessariamente, adotar práticas absolutamente inéditas. Pode ser o emprego de técnicas já conhecidas em outros segmentos. É exatamente o que vem fazendo a SPMar nas obras do trecho leste do Rodoanel de São Paulo. A empresa está erigindo uma via elevada de 8,8 quilômetros utilizando uma técnica comum na construção de piers e portos, o chamado encontro estruturado leve. Erguida sobre a várzea dos rios Tietê e Guaió, entre a região do ABC e Suzano, a via representaria uma ameaça ambiental, já que a construção tradicional implicaria o pisoteamento de solo mole, remoção e compactação de terra e danos a mananciais e lençóis freáticos – aliás protegidos por se encontrarem na Área de Preservação Ambiental (APA) do Alto Tietê.

Pelo encontro estruturado não há pisoteamento, explica o engenheiro José Carlos Britto, responsável pelo projeto. As estacas são fincadas no terreno alagadiço até atingir solo consistente. Sobre elas são lançadas as vigas e os tabuleiros, por cima dos quais será assentada a via. As máquinas vão avançando sobre a parte construída. A SPMar também criou próximo do local uma fábrica de pré-moldados de concreto para fazer estacas, vigas e lajes de tamanhos padronizados. O conjunto de inovações e a padronização permitiram economia de 30% no custo da via elevada. Outra preocupação é manter a obra com o menor gasto de manutenção. Após a construção, a própria SPMar vai administrar, como concessionária, o trecho leste do Rodoanel por 35 anos. (EB)